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UMA FARINHADA CEARENCE

The flour house

After several years of research and witnessing the cassava harvest season, in September 2023, in the wilderness of the State of Ceará, I was finally able to learn about the entire artisanal process and the premises of the ancient manufacturing of cassava flour and tapioca flour.

The “flour house” in Brazil is not a specific location, but rather a traditional construction, generally a large open structure with a roof, present in several regions of the country, mainly in rural areas. The place used to prepare cassava in pre-colonial times was a thatched roof open on one side. Today, the interior of this house contains the equipment necessary to transform cassava into Brazilian cooking food.
Cassava has significant cultural and historical importance in Brazil, playing a crucial role in the diet of indigenous peoples, and Portuguese colonizers. It served as a livelihood base for the indigenous people during colonization and to the elders’ residents.

The cassava flour production process is laborious and requires knowledge. The men are responsible for extracting the cassava from the field and transporting it to the flour mill. Women carry out the extraction steps, while men continue pressing, crumbling, sifting, roasting and bagging. The flour house represents an important symbol of Brazilian food culture and rural tradition. It serves as a meeting and socialization space for the rural community. Joint work is essential to produce artisanal flour, as the amount of cassava to harvest and rake is significant.

Parents, friends, and neighbors are present on the agreed days, making this difficult task a time to meet, exchange information and reunite, laugh, and share stories. In addition to socialization, cassava houses are cultural spaces with countless potential for preserving, protecting, and disseminating popular traditions.

A casa de farinha

Após vários anos de pesquisa e acompanhamento da safra, em setembro de 2023, finalmente pude vivenciar o processo artesanal e conhecer as instalações de uma antiga produção de farinha e tapioca no interior do Ceará.

A “casa de farinha” no Brasil não se refere a um local específico, mas a uma edificação tradicional, geralmente uma estrutura ampla, coberta e aberta nas laterais — presente em diversas regiões rurais do país. Se nos tempos pré-coloniais o preparo da mandioca ocorria sob simples tapirás de palha, hoje o interior dessas casas abriga as engenhocas necessárias para transformar a raiz em um dos pilares da culinária nacional.

A mandioca carrega um valor cultural e histórico imensurável, tendo desempenhado papel crucial na subsistência tanto dos povos originários quanto dos colonizadores e das comunidades tradicionais que os sucederam.

O fabrico da farinha é árduo e exige sabedoria prática. Nele, a divisão do trabalho é marcante: os homens costumam ser responsáveis por colher a raiz no campo e transportá-la até o engenho, enquanto as mulheres realizam a raspagem e a limpeza. Em seguida, o processo segue com a moagem, trituração, prensa, peneiramento, torra e ensacamento.

Mais do que uma unidade produtiva, a casa de farinha é um símbolo vivo da cultura alimentar e da tradição rural brasileira, funcionando como um espaço central de convivência. O mutirão é indispensável, dada a enorme quantidade de mandioca a ser processada.

Nesses dias combinados, familiares, amigos e vizinhos se reúnem, transformando a dura rotina em um momento de festejos, trocas de saberes, risos e causos compartilhados.

Muito além do sustento, esses locais constituem territórios culturais de altíssimo potencial para a preservação e difusão das tradições populares,   uma história viva que se revela ao longo desta série fotográfica.

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